Oportunidade para sonhar e realizar

            


Podem ser vários os papéis de um projeto social na vida de um adolescente. Conversando com os participantes do Projeto Fábrica de Desmontação, durante a oficina de artesania digital, se percebe a potencialidade e esperança que participar de uma iniciativa como esta tem no presente e na imaginação do futuro das educandas e educandos.

A oficina acontece no prédio da Pastoral do Menor da Área Itaqui-Bacanga, na Vila Embratel. Quando se entra na sala da oficina, chamam atenção os quadros coloridos que mesclam pinceladas, grafitagem e figuras que ganham contornos com teclas, fios elétricos e outras peças de computador, obras da oficina de customização de hardware, majoritariamente. 

Ao redor de uma grande mesa, jovens estão reunidos, as mãos trabalham com cuidados, limpando, colando ou encaixando peças. De repente, surgem objetos utilitários, bijuterias: arte.

“Vejo aflorar a criatividade nos alunos ao trazerem vida a esses componentes criando suas próprias peças. Me incentiva ver o que são capazes de fazer. É uma troca”, relata a professora de artesania digital, Áurea de Sousa. 

Embora metareciclagem fosse uma palavra desconhecidas para praticamente todos os participantes, antes do projeto. É possível ver a aplicação desse conceito na prática através da curiosidade e a disposição para aprender das educandas e educandos para desmontar e montar equipamentos e dar novos usos a componentes eletrônicos que seriam descartados, em sua maioria, inadequadamente.  




Roseth de Jesus ouviu falar de lixo eletrônico pela primeira vez no ‘Fábrica de Desmontação’.  Ela diz que sempre gostou de desenhar e sonha em ser estilista. Acredita que as habilidades desenvolvidas no projeto podem auxiliar em sua futura profissão.


Kethen Rayne conta que sua mãe soube do projeto por uma vizinha, e não perdeu tempo, fez logo a inscrição dela. “O projeto ajuda a gente a desenvolver a criatividade”, diz ela que adora pintar e se orgulha das pulseiras, brincos e colares que criou na oficina de artesania digital.

Julho Costa também não tem previsão de reinício das aulas, então aproveita para exercitar a criatividade na oficina de artesania digital, na qual já confeccionou porta retrato, porta-treco e bijuterias diversas.

Emmily Kiara opina: “Acho o projeto muito legal porque muda o destino de vários computadores e peças que iam para o lixo. Então, é bom para o meio ambiente e preserva até os animais que a gente vê nas notícias sofrendo com esse tipo de lixo”.

Carlos David frequenta as atividades desenvolvidas pela Pastoral do Menor desde que tinha 14 anos. Atualmente, a escola em que ele estuda está sem aulas presenciais por conta de problemas na infraestrutura. Ele viu no projeto uma forma de ocupar bem o seu tempo e fazer algo que sempre gostou, a pintura, mas nunca teve material suficiente para praticar.